Os primeiros relatórios da Ilha Grande são do aventureiro alemão Hans Staden quem, na metade do século 16, a serviço dos
portugueses, navegava na costa brasileira para resgatar portugueses que caiam na prisão dos índios.
Na altura de Santos, local de desembarque preferido de portugueses e jesuítas, Staden naufragou em 1554,
foi capturado pelos índios Tupinambá e ficou na prisão por 22 meses. Já condenado à morte por canibalismo, ele
conseguiu fugir em 1555 e publicou em 1557 em Marburg sua crônica “Relato e descrição verdadeira de canibais selvagens,
nus e furiosos”. Os relatos de Staden são considerados as primeiras descrições de costumes indígenas no Novo Mundo.
Reservas ilimitadas de água doce, frutas tropicais, grandes quantidades do Pau Brasil, mas antes de tudo a
proximidade da cidade de
Paraty,
ponto de embarque do ouro para Europa, fizeram da Ilha Grande depois da visita de
Staden um dos refúgios favoritos de piratas europeus e corsários. Aproximadamente 50 cascos de navios naufragados
são testemunhos das batalhas entre portugueses, piratas e índios Tamoios no século 16 e 17.
No século 18 e 19 a Ilha Grande se tornou o centro principal da região para o comércio de escravos.
Em 200 anos e um dos capítulos mais escuros da história brasileira, embarcaram nas praias de Palmas e
Dois Rios navios com homens, mulheres e crianças da África, destinados ao trabalho pesado nas plantações de
açúcar e nas fazendas.
Para poder alimentar a demanda de mão de obra, depois da proibição da escravatura em 1850, o Brasil abriu as
portas para imigrantes, principalmente europeus e asiáticos. Como em alguns destes países havia epidemias de cólera,
D. Pedro I mandou construir um hospital de quarentena na Ilha Grande, onde os imigrantes tinham que ficar algum tempo antes de entrar
“oficialmente” no Brasil. Hoje as ruínas do hospital são cobertas de floresta tropical.